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Conhecer o Doping




Lista de Substâncias e Métodos Proibidos (01 de Janeiro de 2010)



Consultar lista actualizada para 2010



ÍNDICE


Secção I - Substâncias e métodos proibidos em competição e fora de competição

    * S1. Agentes Anabolizantes
    * S2. Hormonas e substâncias relacionadas
    * S3. Beta-2 Agonistas
    * S5. Diuréticos e outros agentes mascarantes
    * S4. Agentes com actividade anti-estrogénica
    * M1. Incremento do transporte de oxigénio
    * M2. Manipulação química e física
    * M3. Dopagem genética

Secção II - Substâncias e métodos proibidos em competição
Todas as categorias referidas na Secção I, mais:

    * S6. Estimulantes
    * S7. Narcóticos
    * S8. Canabinóides
    * S9. Glucocorticosteróides

Secção III - Substâncias proibidas em alguns desportos em particular

    * P1. Álcool
    * P2. Beta-bloqueantes

 
Secção 1 - Substâncias e métodos proibidos em competição e fora de competição

S1 - Agentes Anabolizantes

Descrição

Estas substâncias estimulam o crescimento dos músculos e da força muscular e diminuem os períodos de recuperação entre esforços. Os anabolisantes são os dopantes mais utilizados no desporto, mas as consequências para a saúde são inúmeras, podendo mesmo provocar a morte.

Testosterona, estanozolol e nandrolona são os anabolizantes mais usados como complemento do exercício físico e podem ser consumíveis através de barras, comprimidos ou soluções injectáveis.

Consequências
A sua utilização provoca paragem no crescimento dos adolescentes, tumores no fígado, distúrbios dermatológicos (acne, pele oleosa, calvície), psicológicos (depressão, paranóia, agressividade) e cardiovasculares (cardiomiopatia, trombos vasculares, enfarte do miocárdio).

Nos homens, provoca uma diminuição da secreção de testosterona, atrofio testicular, obstrução urinária e hipertrofia da próstata. As mulheres consumidoras sofrem frequentemente de atrofia mamária, hipertrofia do clítoris, masculinização da voz e interrupção do ciclo menstrual.



S2 - Hormonas e Substâncias relacionadas

Descrição
Estas hormonas são produzidas por determinados órgãos do corpo humano para estimularem determinada função realizada por outros órgãos, como, por exemplo, a eritropoietina (EPO) e a hormona de crescimento (hGH).

A EPO é produzida pelos rins e incita a medula óssea a produzir glóbulos vermelhos. A eritropoietina sintética foi desenvolvida pelos cientistas para combater os sintomas da leucemia, mas no mundo desportivo tornou-se num dos dopantes mais consumidos. Com o desenvolvimento das técnicas de controlo ao consumo de EPO, a hGH ganhou nos últimos anos um papel privilegiado. Esta pequena molécula, também conhecida como somatropina, é produzida pela glândula hipófise e posteriormente transformada pelo fígado no seu principal metabolito, o IGF-1, que actua em todo o corpo na reabilitação e desenvolvimento das células. Estão também incluídas nesta classe de dopantes a gonadotrofina coriónica (hCG) e as hipofisárias e sintéticas (LH), interditadas actualmente a ambos os sexos, a insulina e as corticotrofinas. E não só: a lista da Agência Mundial Antidopagem alterou a designação desta classe de modo a incluir hormonas não peptídicas e a proibir "substâncias com estrutura química similar ou efeitos biológicos similares, e seus factores de libertação".

Consequências
Pode provocar coágulos no sangue, ataques cardíacos e derrames cerebrais, e por vezes, ainda que raramente, deformações dos ossos, diabetes, cancro, artrite, miopatia, problemas na tiróide e até Creutzfeld Jacob, versão humana da doença das vacas loucas. Contudo, surgem vários efeitos secundários em consumidores que não necessitam deste medicamento: crescimento anormal das mãos, face e pés e outras deformações ósseas, diabetes, distúrbios na tiróide, aumento das glândulas mamárias dos homens, problemas cardíacos graves, doença de Creutzfeldt-Jakob (equivalente humano da doença das vacas loucas), suores e oleosidade na pele.



S3 - Beta 2 Agonistas

Descrição
A nível médico, são usadas em doentes com asma, mas, quando injectadas no sistema sanguíneo dos atletas, aumentam a massa muscular e diminuem a percentagem de tecidos gordos.

Contudo, há beta-agonistas (salbutamol, salmeterol e terbutalina) que são permitidas no desporto desde que consumidas por inalação e sob prescrição médica.

Consequências
Por possuírem efeitos anabolisantes, os seus consumidores podem sofrer de arritmia e distúrbios nervosos, como tremedeiras, excitação e ansiedade.



S4 - Agentes com actividade Anti-estrógenica

Descrição
Estas substâncias estavam apenas interditas aos homens, tanto em competição como nos períodos de preparação, porque são usadas como reguladores hormonais para disfarçar os efeitos secundários dos esteróides. Contudo, a proibição foi em 2005 estendida ao sexo feminino.

A maioria destes produtos libertam testosterona (hormona masculina) sintética, causando o desejado aumento da massa muscular (incremento da síntese proteica).

Consequências
Provoca o bloqueio da produção de testosterona pelo próprio corpo.

Os esteróides andrógenos originam nos homens redução do tamanho dos testículos, inibição da produção de esperma, perda do apetite sexual e calvície. Alguns esteróides transformam-se ainda em estrógenos (designação geral das hormonas femininas) e provocam nos consumidores masculinos o desenvolvimento de características femininas, como o aumento dos seios.

Quem usa esteróides consome também agentes anti-estrogénicos para combater os efeitos secundários feminizantes (diminuem a circulação de estrógenos no sangue e bloqueiam nas células os receptores destas hormonas) e para recuperarem a produção normal de testosterona depois de cada ciclo de esteróides.

Para além disso, os anti-estrogénicos causam também danos colaterais: desordens gastro-intestinais, retenção de líquidos, trombose venosa, entre outros.



S5 - Diuréticos e outros mascarantes

Descrição
Há agentes mascarantes de diversos tipos, mas todos têm como função principal no desporto ocultar o consumo de dopantes que interferem no desempenho dos atletas.

Os diuréticos, por exemplo, aumentam a produção de urina e, consequentemente, potenciam a “limpeza” do sangue. Em modalidades como judo, halterofilismo, remo ou luta greco-romana, os diuréticos são consumidos para controlar o peso. Na generalidade dos desportos, é a capacidade de mascarar outros dopantes que levou os diuréticos a serem incluídos na lista negra. Outro agente mascarante conhecido é a epitestosterona, metabólito biológico da testosterona, usada para equilibrar o rácio com a hormona masculina, libertada para o corpo através do uso de esteróides. Nesta classe estão ainda incluídos o probenecid e os expansores de plasma: a primeira substância interfere na actividade renal, retardando a excreção de dopantes, com o intuito de entregar às brigadas de controlo uma amostra de urina “limpa”; os expansores plasmáticos aumentam o volume sanguíneo e disfarçam dopantes que manipulam a forma como são transportados oxigénio e nutrientes para as células.

Consequências
Os atletas que consomem diuréticos sujeitam-se a sofrer de desidratação, arritmia, insuficiência renal e hipotensão.



M1 - Incremento no transporte de oxigénio

Descrição
A transfusão sanguínea é a técnica mais utilizada no desporto para aumentar o volume de oxigénio no sangue e, consequentemente, melhorar o desempenho durante uma competição.

As recolhas de sangue registam-se durante as épocas de treino, principalmente quando os atletas não atravessam uma fase de preparação intensa com vista à participação em breve numa prova. É extraído entre 20 e 30 por cento do volume total do sangue do atleta durante esses períodos. Para aumentar o número de glóbulos vermelhos no sangue, esse treinos são realizados em altitude – o ar rarefeito do topo das montanhas obriga a medula óssea a produzir mais glóbulos, para tornar mais eficaz o transporte de nutrientes para as células – ou com o consumo de eritropoietina (EPO) – hormona produzida pelo rim que estimula a produção de eritrócitos e por isso foi copiada sinteticamente pelos cientistas para combater os efeitos da leucemia. Exemplo deste método é o Ciclismo, é recolhido um litro de sangue a cada atleta durante os alegados treinos em altitude, na realidade complementados com EPO; meio-litro é administrado aos ciclistas antes de cada prova importante, como a Volta à França, e a outra metade permanece em conservação para ser utilizada a meio dessa competição, quando o cansaço é mais visível. A Agência Mundial Antidopagem proíbe a administração de sangue ou substitutos sanguíneos, assim como de medicamentos que “têm a capacidade de aumentar a captação, transporte e libertação de oxigénio”, entre os quais a EPO e o RSR-13, substância que aumenta a capacidade bioquímica de o sangue libertar o oxigénio nos tecidos", processo diferente da eritropoietina, que melhora o transporte. Estão ainda proibidos os medicamentos capazes de manipular o plasma sanguíneo, responsável pelo transporte de três por cento do oxigénio consumido pelas células.

Consequências



M2 - Manipulação química e física

Descrição
Nesta categoria estão proibidos todos os métodos que visem alterar a validade e a integridade das amostras de urina e/ou sangue recolhidas durante os controlos.

As autoridades antidopagem consideram como manipulação a substituição, falsificação, diluição ou alcalinização da urina, a cateterização, a inibição da excreção renal e a utilização de substâncias mascarantes.

Consequências



M3 - Dopagem Genética

Descrição
A dopagem genética é definida como “o uso não terapêutico de células, de genes, de elementos genéticos ou de modulação da expressão genética que tenham capacidade para aumentar o rendimento desportivo”.

A associação entre a genética e o desporto poderão provocar uma verdadeira revolução nesta actividade – surgem novos horizontes no tratamento de lesões, mas também abre-se uma “Caixa de Pandora” relativamente à manipulação dos resultados desportivos, que poderá mesmo levar a novas noções na ética desportiva. Por isso, a Agência Mundial Antidopagem procura jogar por antecipação, ao colaborar com as pesquisas científicas na área da genética, de modo a reagir aos avanços com o desenvolvendo imediato de técnicas de controlo antidopagem.

Consequências



Secção 2 - Substâncias e métodos proibidos em competição (todas as categorias anteriores da Secção 1 e mais..)


S6 - Estimulantes

Descrição
Actuam directamente no Sistema Nervoso Central e são consumidos para aumentar a concentração, reduzir o cansaço e aumentar a competitividade e a agressividade. As anfetaminas e metanfetaminas são as mais consumidas, visto que também servem como drogas sociais, essencialmente em festas. A cocaína também encaixa neste descrição. A cafeína também já provocou vários testes “anti-doping” positivos.

Consequências
São detectáveis através de testes à urina dos atletas e podem provocar desregulação dos batimentos cardíacos, problemas na coordenação motora, comportamento agressivo e perca de peso. Há ainda alguns efeitos secundários menos frequentes, como tremores, insónia, suores constantes, ataques cardíacos e aumento da pressão arterial. O consumo excessivo de anfetaminas, por exemplo, pode ainda provocar overdoses e mortes, perigo existente também quando são utilizadas substâncias adulteradas.



S7 - Narcóticos

Descrição
A morfina, a metadona e a diamorfina, mas conhecida por heroína, são algumas das substâncias incluídas nesta classe.

Os narcóticos têm efeitos no cérebro semelhantes às endorfinas e às encefalinas, substâncias produzidas naturalmente que reduzem a velocidade de transmissão dos sinais nervosos entre os neurónios, causando uma sensação de diminuição ou mesmo desaparecimento da dor, ou seja, funcionam como analgésicos naturais.

Consequências

Provocam uma sensação de euforia e bem-estar. As substâncias naturais não causam dependência, ao contrário dos narcóticos, que podem ainda provocar diminuição da concentração, náuseas, distúrbios intestinais, distúrbios respiratórios, hipotensão, overdoses e morte.


 
S8 - Canabinóides

Descrição
O haxixe e a marijuana são os canabinóides habitualmente consumidos no desporto, para diminuírem a ansiedade e a tensão.

Na maioria das modalidades, os canabinóides são prejudiciais para a obtenção de bons resultados desportivos, pois actuam no sistema nervoso central e diminuem a precisão da coordenação motora, na agilidade e no poder de reacção. Contudo, consumir canabinóides a um nível mínimo, antes de uma prova, pode levar à diminuição do nervosismo e ao aumento da concentração, factores decisivos em desportos como o golfe ou o tiro. É por este facto, e pelos perigos para a saúde, que estas substâncias são proibidas pelo Comité Olímpico Internacional.

Consequências
O uso regular de canabinóides pode provocar alucinações, perdas de memória, descoordenação neuromuscular, dependência e diminuição do apetite.



S9 - Glucocorticosteróides

Descrição
Esta classe divide-se em glucocorticóides e mineralocorticóides. Do primeiro tipo fazem parte substâncias como a cortisona, que aumentam a formação de glicogénio (molécula produzida e acumulada no fígado como reserva energética) e possuem também uma acção anti-inflamatória, anti-reumática e anti-alérgica, evitando situações de “stress”. Os mineralocorticóides actuam nos processos renais, regulando ao equilíbrio de água no corpo.

Segundo o código mundial antidopagem, “os glucocorticosteróides são proibidos quando administrados por via oral, rectal ou por injecção intravenosa ou intramuscular”. No entanto, devido às suas propriedades anti-inflamatória, anti-reumática e anti-alérgica, são autorizados no desporto, quando administrados por inalação ou injecções locais, mediante a entrega de uma notificação médica às autoridades antidopagem.

Estas substâncias têm a capacidade imediata de melhorar os níveis psíquicos e físicos dos atletas

Consequências
A longo prazo, os efeitos são negativos: o aumento do catabolismo proteico (degradação; oposto de anabolismo) leva à diminuição da massa muscular e a uma fadiga precoce. A nível da saúde, o tratamento com corticosteróides pode provocar atrofias musculares, gastrites e úlceras gastrintestinais, maior sensibilidade às infecções, disfunções renais e hepáticas, edemas, hipertensão, problemas psicológicos e impotência sexual.


 
Secção 3 - Substâncias proibidas em alguns desportos em particular

P1 - Álcool

Descrição

O álcool é proibido apenas em algumas modalidades e unicamente controlado em competição, através de análises respiratórias ou através do sangue. Os atletas utilizam álcool como um analgésico, para combater o nervosismo e as tremedeiras, ganhando autoconfiança, ou diminuir a sensibilidade relativamente às lesões.

Consequências
No entanto, o consumo de álcool no desporto pode ter consequências graves. Nas fases da embriaguez e da ressaca, há um aumento da agressividade e uma diminuição da concentração, da capacidade visual, da assimilação de informação e da coordenação motora, podendo originar acidentes mortais em desportos como o automobilismo, o tiro com arco ou a aeronáutica. Para além disso, um atleta alcoolizado sente menos dores e não consegue saber se está a agravar uma possível lesão. Em competições realizadas ao frio, podem-se registar casos de hipotermia, já que o álcool origina uma vasodilatação cutânea e consequente perda significativa de calor.



P2 - Beta-Bloqueantes

Descrição
Os beta-bloqueantes são utilizados no desporto pelos efeitos semelhantes aos canabinóides: controlo da ansiedade competitiva, “stress”, nervosismo e tremedeiras através da diminuição do ritmo cardíaco.

O seu consumo é proibido durante as competições. No Tiro e no Tiro com arco, os beta-bloqueantes estão interditados também durante os treinos.

Juntamos à lista de modalidades, o Bowling de 9 e de 10 pinos e o Golfe.

Consequências
Ao diminuir o ritmo cardíaco, o consumo de beta-bloqueantes pode provocar hipotensão (tensão arterial inferior à normal) e paragens cardíacas. A utilização regular destas substâncias por pessoas saudáveis pode ainda causar crises asmáticas, coma hipoglicémico (falta de açúcar no sangue), insónia e impotência sexual.



IMPRESSOS CNAD

Declaração de Utilização Terapêutica de Substâncias Proibidas

Autorização de Utilização Terapêutica de Substâncias Proibidas

Relatório Médico

Guia Informativo para Médicos

 





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